Thursday, September 22, 2011

Ladrão Que Rouba Ladrão


O paulistano Gui Boratto é provavelmente o brasileiro com maior projeção internacional na música eletrônica atual. A lista de nomes que tiveram um dedo desse produtor, arquiteto, músico e compositor nos últimos anos é respeitável: Goldfrapp, Bomb The Bass, Pet Shop Boys, Moby, Faithless, Massive Attack e Carl Cox, pra citar alguns.
 

Boratto acaba de lançar seu terceiro álbum, III, pela alemã Kompakt. Dizer que esse disco foi produzido usando a massa cinzenta faz duplo sentido. Primeiro porque III é um tanto mais cabeçudo (no bom sentido) do que seus dois álbuns anteriores e nem tudo aqui é direcionado aos quadris, vide a climática "Trap" ou os blips convertidos em linhas melódicas de "Galuchat". Segundo porque o cinza continua tingindo boa parte da obra de Gui. No disco, os melhores exemplos são "Soledad" com seu riff tristonho de teclado e "This is Not the End" (com vocais de Luciana Villanova, esposa de Boratto), onde fica fácil perceber o quanto a dobradinha Joy Division/New Order fez a cabeça do produtor.          



Fiquei empolgado quando ouvi o primeiro single do álbum, "The Drill". É realmente a faixa mais forte de III, onde mil variações sobre o mesmo tema (um riff pesado de sintetizador) colidem com duas cascatas de estática no meio da faixa. O que me decepcionou, porém, foi descobrir que essa linha de synths foi totalmente "inspirada" no baixo da faixa "Domino", um lado B de um single do artista francês Oxia, lançado em 2006 (que por sua vez é um cover não creditado da faixa "Eve By Day" de Patrick Chardronnet). Confusão, hein? Nesse festival antropofágico, quem se salva?

Gui Boratto: inspiração ou plágio?



Oxia: cover não creditado.



 

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