Confesso que de vez em quando eu gostaria de ter o dom de ver a beleza onde ela (aparentemente) não existe. Pois a bola da vez no inflado mundo indie é o The xx (sim, minúsculas), quarteto inglês de moleques na casa dos vinte anos – dois rapazes e duas moças - formado em 2005 e que acaba de debutar com o álbum “xx”. A banda foi colocada em 6º lugar na “The Future 50” (compilação de nomes que serão o futuro da música reunido este mês pelo tablóide musical londrino NME) e seu álbum recebeu notas e estrelas perto do máximo por parte de veículos relevantes como The Guardian, Pitchfork Media, The Times e The Observer. OK, mas o falatório se equivale ao que sai das caixas de som? Bom, se for ouvir “xx”, não se deixe enganar pelo delay nas guitarras e pela batida empolgante da faixa de abertura instrumental (“Intro”), porque ela nem de longe entrega o que está por vir: daí pra frente o disco se divide em dez variações para o mesmo tema: vocais sonolentos, arranhões de palheta nas seis cordas, bateria eletrônica de bolso e letras sobre o universo em desencanto das relações adolescentes. Tudo isso embalado num pacotão indie lo-fi, pretensamente de som simples e atitude blasé, mas que parece ter cada movimento estudado à exaustão pra captar a audiência e a atenção de quem conhece o mundo sem Jesus & Mary Chain. Assista o vídeo de “Crystalised” e veja se dá pra levar a sério uma banda que reclama para si influências que vão de Rihanna à The Cure e de Pixies à Mariah Carey.
Monday, August 31, 2009
Monday, August 24, 2009
Vida após a morte
Ao que tudo indica, o New Order não ressuscita tão cedo. Peter Hook montou o Freebass com mais dois (!) baixistas: Andy Rourke (The Smiths) e Mani (Stone Roses/Primal Scream) mais o cantor Gary Briggs. E se há três baixistas no Freebass, recentemente foi anunciado o Bad Lieutenant; projeto de Barney Sumner, Phil Cunningham e Jake Evans, três guitarristas. Barney divulgou que o álbum do trio já está pronto e agendado para Outubro, enquanto disponibilizou o que deve ser o primeiro single, “Sink Or Swim”, no MySpace da banda. Desnecessário dizer que se a música estivesse num disco do New Order ou do Electronic daria no mesmo, e isso é um estigma que deve perseguir Sumner pelo resto da vida. De qualquer maneira, a música é muito boa e séria candidata a hit: guitar pop acessível e ensolarado, com refrão bem pegajoso. Só acho que se tem uma coisa que não vai pegar nessa história é o nome do trio: Bad Lieutenant é de doer.
Ainda não há vídeo no Youtube, então o player aí abaixo tem "Sink Or Swim" na versão que a banda soltou no MySpace.
Ainda não há vídeo no Youtube, então o player aí abaixo tem "Sink Or Swim" na versão que a banda soltou no MySpace.
Wednesday, August 19, 2009
Cafoninha avant-garde
O Simian Mobile Disco acaba de soltar disco novo, o segundo de material inédito da carreira. Não que isso faça alguma diferença (porque você não vai comprá-lo mesmo) mas vale a pena prestar atenção num dos projetos mais interessantes da eletrônica atual e sua mais recente coleção de (boas) idéias reunidas em um album. “Temporary Pleasure” traz diversos vocalistas convidados, entre eles Gruff Rhys do Super Furry Animals e Alexis Taylor do incensado Hot Chip. Beth Ditto do Gossip também aparece comportadinha e domesticada na ótima “Cruel Intentions”, que soa como as produções nórdicas de bandas como The Knife e Röyksopp. Mas o ponto alto do disco é “Audacity Of Huge”, não por acaso escolhida como primeiro single: um mosaico de blips tecno, sintetizadores cafonas e timbres de bateria eletrônica surrados. O que faz a diferença aqui é o talento do Simian em montar o quebra-cabeça e transformar os elementos num pop infeccioso, bem humorado e altamente dançante. Num mundo perfeito, seria hit massivo. Alguém aposta?
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