Difícil não simpatizar com essa "Set Me Free", single da dupla Dato. Entra naquela leva de canções pra dançar simples, mas eficientes. Os autores desse bombom pop house são os dinamarqueses David Kosteljanetz e Thomas Erichsen. "Set Me Free": pra adoçar a pista. DATO - Set Me Free (Preview) by DATO (Official)
O dinamarquês Kasper Bjørke dividiu Fool - seu novo álbum - em dois lados, como num disco de vinil. O lado A é o Hungry Side, canções pop-eletrônicas montadas no esquema tradicional do estrofe-refrão. O lado B é o Foolish Side; onde o DJ, produtor e empresário resolveu experimentar timbres, efeitos e ritmos que não caberiam num formato pop. Temas instrumentais com ênfase nas guitarras (como nos mais de nove minutos de palhetadas lânguidas de "D.O.A.H."), climão space-disco ("Bohemian Soul"), vibrafones sintéticos ("US Escape") e até indie dance com baixo de verdade ("Mansisters").
O Hungry Side leva ligeira vantagem, não só porque é mais fácil de ouvir. Nestas quatro primeiras faixas Kasper Bjørke estabelece uma parceria com o excelente cantor (também dinamarquês) Jacob Bellens que faz toda diferença. Seu timbre grave e ligeiramente áspero casa com perfeição com as bases inspiradíssimas que Bjørke criou nessa fusão eletro/análoga que é a primeira metade de Fool. O single "Lose Yourself To Jenny" é o melhor exemplo disso: synthpop bubblegum com sintetizadores felizes e melodia assoviada. "Sunrise" tem aquela progressão de acordes de baixo eletrônico - o onomatopéico "dugu-dugu-dugu-dugu" - suficiente pra dobrar o poder do refrão, enquanto "Deep Is The Breath" (dueto vocal de Bellens e Emma Acs) é puro ABBA e Erasure pré-1992 numa canção que poderia ser finalista do Eurovision. O álbum encerra com os pianinhos house e o refrão amigável de "Hand In The Beehive" (outra da dupla Bellens/Bjørke), uma das três faixas-bônus do disco. Eletro pop ou experimental, Kasper Bjørke cometeu um discão.