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Sunday, July 8, 2012

Arqueologia

Julio Saraiva, o Frontrunner.
Dando uma desempoeirada (alô Pasquale!) nos meus velhos CDs hoje a tarde, (re)descobri um promo que recebi no século passado de um selo independente chamado Electroad Records, de São Paulo. A masterização das faixas ficou por conta de um cara chamado Julio Saraiva, da 4D Records (nada a ver com a 4AD inglesa). A Electroad era uma gravadora que tinha no cast artistas eletrônicos tupiniquins, que felizmente (em alguns casos) e infelizmente (em outros) não deram em nada. O selo eu acho que também virou pó, nunca mais ouvi falar. No promo, há duas faixas de cada artista (são seis grupos), entre eles o Simbolo - velho conhecido no underground sintético brazuca, e uma das poucas coisas dignas de nota do disco. O outro que vale mencionar é o Frontrunner, do próprio Julio Saraiva. Uma das músicas dele na coletânea ("Looking For You") é bem interessante. É um tanto defasada (mesmo pra época em que foi lançada, 1998), porque pega pesado num EBM nublado, sem espaço pra melodia - coisa que o Klinik e o Front 242 já faziam lá no meio dos 80. Gosto, entretanto, do bassline martelado nos indicadores e do climão ingenuamente dark da canção. Julio atualmente está trabalhando num novo álbum, chamado Damaged Control.


Fita cassete do Frontrunner, lançada em 1996.

"Looking For You": vocais ininteligíveis.


Tuesday, July 3, 2012

The Fake Mode

Martin Gore, o Mão Santa do Depeche Mode.
Por ocasião do recém lançado S.T.O.P. (décimo primeiro álbum dos alemães do And One), fiquei pensando no tanto que o Depeche Mode fez a cabeça desse pessoal. Mas o And One não está sozinho. Abaixo, três exemplos de como seguir à risca os passos dos seus ídolos:


And One

Esse cabelo do vocalista Steve Naghavi aí acima é inspirado em quem? Dave Gahan, circa 1990. Mas curiosamente, Naghavi não passa nem perto de cantar como Gahan. E musicalmente, Depeche e And One não tem muito a ver. O And One pratica um EBM pesado, sombrio, e por vezes, dançante. O primeiro single da banda ("Metalhammer", 1990) mescla industrial e synthpop (gêneros que o Depeche soube explorar muito bem), num hit de pista doentio. A melhor música da banda alemã é, sem dúvida, "Sometimes", de 1997:




De/Vision

Mais germânicos: o De/Vision está na ativa desde 1988. Aqui o caso é mais grave: a inspiração beira a imitação. Os singles do grupo parecem acompanhar os passos do Depeche: a ótima "Heart-Shaped Tumor" lembra "Only When I Lose Myself", "Strange Affection" parece com "Barrel Of A Gun", "Rage" (com vídeo inspirado em "It's No Good", de adivinha quem?) soa como "Wrong"...




Color Theory

Projeto do americano Brian Hazard. Tecladista e cantor, tá na cara que Brian paga um pau pro Martin Gore. Canta, geme e solta aquele vibrato igualzinho ao principal compositor do Depeche. Cometeu a façanha de produzir, provavelmente, o pior álbum de covers dos ingleses de todos os tempos: Color Theory presents Depeche Mode, de 2003. É nesse disco que está essa versão lamentável de "I Want You Now":

Sunday, June 3, 2012

Black Celebration


Synthpop brazuca cresce e aparece. The Chanceller é o projeto do produtor e vocalista Luciano Cardozo, disco lançado há um mês (Painted In Black, independente) e mini-tour de divulgação acontecendo.


Luciano reivindica para si influências que vão de Kraftwerk à New Order, que junto com o Depeche Mode estão presentes no genoma de qualquer banda do gênero, mas curiosamente não percebi com clareza essas influências em Painted In Black - a não ser no arranjo simplório de "Don't You Dare" e na instrumental "Surfin Square", que lembram muito aquele technopop de base sintético/monofônica urdido tecla por tecla no começo da carreira do próprio Depeche. A mim pareceu que, mesmo sem querer, o Chanceller está mais próximo da escola belga do EBM praticado por gente como Neon Judgement nas faixas mais viscerais (como "Time To Sleep") - que por tabela era algo que a banda santista Harry fazia admiravelmente bem na segunda metade dos 80 e começo dos 90. Quando a pegada é puramente eletrônica como em "Blood Stain" ou no single "Brokens Dreams (Like That)", o Chanceller cria um experimento imaginário com um hipotético Front 242 sem a muralha de samplers ou um Nitzer Ebb sem hits de pista, tanto na temática quanto nos vocais mais próximos à Douglas McCarthy e Jean-Luc De Meyer do que do onipresente Dave Gahan. O synthpop em que o projeto se autodefine está manifesto mesmo é na bela instrumental "Runaround" e nos blips intricados de "Surrounded" - onde é possível ter idéia da parcela de culpa do britânico Vince Clarke na paixão de Cardozo por sintetizadores. Com uma imagem ainda assustadora demais pra frequentar o Domingão do Faustão mas com um nicho de mercado garantido por algum tempo no underground, resta saber onde o Chanceller quer chegar. Acho que seria realmente um desperdício um hit em potencial com um gancho de teclado atraente como o de "Tease, Chase, Kill (Me)" ser ouvido somente por um público vestido de preto em clubes Brasil afora.

O vídeo de "Tease, Chase, Kill (Me)": pernas pra que te quero.