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Thursday, March 17, 2011

Gregos, Troianos & Xiitas


Versatilidade. Taí um bom adjetivo pra classificar os incansáveis Neil Tennant e Chris Lowe. Pois o Pet Shop Boys, em parceria com o coreógrafo venezuelano Javier de Frutos, estréia essa semana um balé em três atos baseado num conto do dinamarquês Hans Christian Andersen. "The Most Incredible Thing" será apresentado no palco de um dos mais importantes locais dedicados à dança do mundo (o Sadler's Wells Theatre, em Londres). E a dupla acaba de disponibilizar a música composta para o espetáculo em forma de CD duplo e numa luxuosa e limitadíssima edição em vinil de apenas 500 cópias, autografada pelos próprios. Interessou? 350 libras, mais impostos. O som aqui mistura orquestrações e eletrônica - que não é nenhuma novidade na discografia do Pet Shop Boys. Apesar de render momentos bem interessantes, acho que a coisa vai fazer sentido mesmo (para os que não puderem assistir ao espetáculo) quando for possível aliar essa trilha com a imagem - o que pode acontecer em forma de DVD daqui a algum tempo. Por enquanto, o álbum é mais indicado aos fãs xiitas. 

Uma geral em "The Most Incredible Thing":




Sunday, August 8, 2010

Monarchy

Não fosse a possibilidade do Hurts lançar seu disco até o fim do ano, já consideraria Monarchy o melhor disco synthpop de 2010.
Leia resenha completa no rraurl: http://rraurl.com/resenhas/7602/Monarchy_-_Monarchy

Nota: 9
Pra quem gosta de: ABC, The Human League, Visage, Phoenix

"The Phoenix Alive":

Monday, June 14, 2010

A Volta Do Que Não Foi

Tá vendo? Basta a boa pop music fraquejar num momento de entressafra para uma nulidade como o Cause & Effect criar uma asinha e engrossar a lista de comebacks fracassados em 2010. Com alguns semi-hits na carreira que incluem um não muito honroso 38º lugar no Hot 100 da Billboard para o single "You Think You Know Her" em 1991 e depois de seis anos de hibernação, Rob Rowe (vocais, guitarra) e Keith Milo (vocais, teclados) acabam de jogar aos leões o EP "Artificial Construct Part One": quatro bolas fora chutadas com a habilidade de um Felipe Melo maltratando a Jabulani. O tecnopop enfadonho do duo mostra toda sua previsibilidade já na primeira música ("Happy?"): note a incapacidade da dupla de escrever um refrão melhor do que "everybody's happy dreaming of the future" ou pensar num timbre de sintetizador  um pouquinho mais interessante do que a flauta pan do solo. A total falta de conexão com o mundo real é facilmente perceptível na pieguice de "View Of The Sea" e seus indefectíveis samples de ondas quebrando, na letra constrangedora de "This Is Who I Am" ("eu me cerco das coisas que amo para ajudar a encontrar a cura para as minhas aflições") e na grandiloquência escorregadia de "Sleep". Pra quem abriu pro Information Society no começo dos 90, é bem possível que a idéia de uma tour agora seja algo como o Cause & Effect empilhando seus teclados obsoletos em cima de engradados de cerveja em algum boteco de Sacramento, Califórnia, local de origem da banda. E enquanto imaginam que alguém possa confundir sua música com alguma sobra de estúdio do Depeche Mode, o máximo que "Artificial Construct Part One" consegue é soar como um sub-Camouflage, o que também não deve ser motivo de orgulho pra ninguém. Nem mesmo os muitos fãs latino-americanos que a banda deve ter, acostumados que estão a cair como patinhos em armações nada talentosas como o Cause & Effect. Outra péssima notícia é que o título desse EP indica um "Part Two" em breve.


Nota: 1.0 (pela coragem de lançar o EP)
Pra quem gosta de: bandas que imitam o Depeche Mode, whisky paraguaio ao invés de escocês, Red Flag, Anything Box.
Links: site oficial, Facebook, MySpace, Youtube.

A falta de idéias já vem desde 1990: "You Think You Know Her" tem uma chupada de "Bizarre Love Triangle" do New Order. Assista: (ou melhor, não assista...)

Sunday, March 14, 2010

Xanadu

Alison Goldfrapp colocou paletó e gravata nos seus sintetizadores e agora soa como a Olivia Newton-John do século 21. Não que isso seja ruim, mas num mundo synthpop povoado por La Roux, Little Boots e Ladyhawke, periga seu novo álbum "Head First" (de belíssima capa) não causar metade do impacto que o impressionante debut "Felt Mountain" causou em 2000. Com produção do veterano Pascal Gabriel (que já trabalhou, veja só, com Little Boots e Ladyhawke) e do promissor Richard X, "Head First" é uma ótima coleção de canções pop eletrônicas, e tem pelo menos mais dois hits em potencial (além da já estourada "Rocket"): uma mais com cara de hit de pista remixável ("Believer") e outra uma pop song perfeita pro airplay das rádios ("Alive"). "Dreaming" é outra amostra de como o duo Alison/Will Gregory sabe quando apertar as teclas certas. Escorregadas são a faixa-título, uma baladinha tecnopop adocicada e "I Wanna Life", onde a coisa derrapa mesmo pro lado kitsch do pop oitentista. E nada me tira da cabeça que a faixa que encerra o álbum, "Voicething", foi amplamente inspirada no clássico eletrônico-abstrato "O Superman", single lançado em 1981 pela performática Laurie Anderson. Faz sentido.

"Rocket", primeiro single de "Head First":



"O Superman", de Laurie Anderson: