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Thursday, June 28, 2012

Warm Chip

Eles não são a cara do Devo?
Peraí, peraí... calma lá que o disco novo do Hot Chip não é isso tudo. Já li por aí que In Our Heads é o disco do ano (isso que só estamos na metade dele) e dizer que essa afirmação é um baita exagero é chover no molhado.
Vitral na cabeça.
É ruim? Não chega a tanto. Particularmente, achei um álbum razoável - mesmo que na minha obnubilada visão, a banda londrina continue com os mesmos defeitos crônicos: vocais anasalados, um ou outro timbre de gosto duvidoso e falta de tesão em algumas faixas com cara de pista de dança. De In Our Heads, acho que "How Do You Do" funcionou muito bem, com seu baixo engrenado e teclados inofensivos. "These Chains" também se sai OK; bem construída, batucada dance, vozes disfarçadas em um tom mais baixo e refrão harmonicamente impecável. Diria ainda que "Flutes" (com côro infantil e tudo) é charmosa e agradável em toda sua simplicidade techno e "Look At Where We Are" é uma baladinha indie bem simpática. O resto eu torci muito (o nariz). "Night and Day" (o primeiro single do álbum) é a dance track mais sem graça da carreira do Hot Chip: o refrão é irritante, os sintetizadores são simplórios e a letra se sai com o trecho "do I look like a rapper?". Não, não parece. Mais duas baladas insossas ("Now There Is Nothing" e "Always Been Your Love") e outras quatro canções com jeitão de papel de parede indietrônico completam o mediano In Our Heads. Nota 5, que pro Hot Chip, tá na média.

"Night and Day": vai dizer que você curtiu esse refrão?


Friday, November 4, 2011

1 X 4 = 1


 Está por sair o novo do multi-platinado Snow Patrol, Fallen Empires.

Em Setembro passado, os irlandeses soltaram o single Called Out in the Dark como aperitivo. Acabou rolando também um EP com mais três faixas (totalmente dispensáveis). Fique somente com a faixa título e descarte o resto sem dó. "Called Out in the Dark" - a canção - é um roquezinho salpicado com doses homeopáticas de eletrônica e com uma letra tipo levanta-estádio ("É como se não conseguíssemos nos segurar / Pois não sabemos ir mais devagar / Fomos chamados para as ruas / Fomos chamados para a cidade"). E considerando que hoje é sexta-feira e a faixa tem essa bateria com o chimbau numa levada disco, é perfeitamente justificável dançar ao som de "Called Out in the Dark". Remixes também são bem-vindos.

"Called Out in the Dark": coreografia mais legal desde "Dança da Manivela" do Asa de Águia.

Sunday, October 23, 2011

Neon Lights


O mexicano Alan Palomo se deu ao luxo de ir pra Finlândia gravar em quatro semanas na geladeira chamada Helsinki seu mais recente álbum como Neon Indian, Era Extraña (lançado em Setembro).


Eleito muso chillwave em sua estréia de 2009 (Psychic Chasms) pela intelligentsia musical nos quatro cantos do planeta, Palomo retorna com um álbum que substitui os samplers do trabalho anterior por texturas sintéticas distorcidas e climão de eletrônica lo-fi, estranhamente nostálgica (no sentido desconfortável da palavra). Toro Y Moi já abandonou esse barco em favor de beats mais safados e maior clareza na produção no seu último EP, e acertou na mosca. Já o Neon Indian fica encoberto pela própria sombra projetada a partir de Era Extraña: entre canções extremamente simplórias como o single "Polish Girl", rocks chapados ("Hex Girlfriend", "The Blindside Kiss") e trips lisérgicas baseadas em execuções contínuas das notas de um mesmo acorde ("Future Sick"), o disco cansa na primeira audição - um pouco por culpa desses vocais extenuados por filtros do início ao fim do álbum. O principal defeito do disco, no entanto, é algo que me parece vir da presunção de Palomo em fazer música do jeito que os seus parcos 23 anos lhe dão na telha, amparado por gente que levantou o polegar pra tudo que ele já fez até agora. Mas ele já fez algo que realmente te instigasse? Comigo ainda não aconteceu.

"Polish Girl": como (tentar) fazer um riff de sintetizador funcionar na marra.