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Friday, November 18, 2011

Preto no Branco


Jarle Bernhoft é um cantor, multi-instrumentista e compositor norueguês. Já tem três álbuns lançados e visualmente é algo entre Buddy Holly e Johnny Bravo. Em seu semi-hit "C'mon Talk", o faz-tudo Bernhoft canta como se fosse um daqueles negões do Temptations de 1972 num cruzamento entre soul e folk bem atípico pra quem vem lá dos fiordes escandinavos. A música nem é espetacular, mas o cara tem uma qualidade que anda meio escassa hoje em dia: sabe cantar. Dica do sempre ligado Cris Antunes.

"C'mon Talk": Bernhoft cobra o escanteio e tá na área pra cabecear.

Tuesday, October 12, 2010

Angustiado à Beira do Caminho


Se discos de cantores folk melancólicos são a sua praia, It's What I'm Thinking Pt. One - Photographing Snowflakes é o que há. É o sétimo álbum do Badly Drawn Boy, lançado dia 04 de Outubro. Salpicando batidas eletrônicas entre arranjos de cordas e vocais contidos, Damon Gough vai contando histórias com o violão em punho e títulos sugestivos como "Too Many Miracles", "A Pure Accident" e "I Saw You Walk Away". Se eu fosse a mãe dele, começaria a ficar preocupada.

"Too Many Miracles". Um psicólogo para Damon Gough, por favor.

Sunday, August 1, 2010

Solidão Que Nada

Procurando alguma trilha pro seu ritual de acasalamento nesses dias invernais? Há uma boa chance disso aqui funcionar. Depois de dois EPs, You Are Found é o primeiro disco da cantora e compositora Erin Lang. Apadrinhada por Roger O'Donnell (ex-tecladista do Cure), a canadense explora o filão do pop acústico com toques leves e precisos de eletrônica, algo que pode ser definido como electrofolk. A voz de Erin é tão delicada e etérea que seus sussurros vão ficando quase inaudíveis e por pouco não somem por completo em faixas como "Lightning". Ás vezes ela canta como se fosse seu último suspiro em faixas lânguidas como "Empty" (amparada por um cello no refrão) ou "Daisy" e sua guitarra monocórdica. Produzido pelo alemão Mario Thaler (que já trabalhou com o Lali Puna) e lançado em Maio deste ano, You Are Found tem alguns momentos criativamente forrados com ruídos, cliques e estalos digitais ritmicamente organizados - o que o aproxima da estética glitch - especialmente em "A Thousand Years" e "Until Then", e ainda algumas amostras de pop doce e ensolarado como "Now" e a perfeita "You're Better Off", já bem colocada no meu ranking de mais ouvidas do ano. Ouça de boca fechada.

Nota: 8
Pra quem gosta de: Badly Drawn Boy, Beth Orton, Ellie Goulding
Links: site oficial, Facebook, Youtube

"You're Better Off":

Thursday, February 4, 2010

Monozigóticas



Se eu te recomendasse um álbum de uma dupla de cantoras chamada The Watson Twins, qual seria sua reação? Resposta provável: desconfiança. E depois de olhar uma foto das duas, então? Sem ouvir o suposto álbum, dava pra chutar que se trata de uma dupla country dos cafundós das florestas do Kentucky. Bom, Chandra e Leigh Watson nasceram em Louisville, Kentucky. São realmente gêmeas idênticas (como evidencia o nome) e dando uma olhada nas fotos, dá a impressão que elas saíram de um filme de David Lynch. Já se chamaram Black Swan, mas mudaram a partir de seu álbum de estréia ("Southern Manners", de 2006). Alguém tratou de rotular o som das moças de alt country, então teoricamente elas dividiriam a prateleira de CDs com nomes cultuados do country alternativo como Ryan Adams, Calexico e Wilco.



O álbum "Talking To You, Talking To Me" sai agora em Fevereiro, e pode acabar com a sua desconfiança, principalmente porque o disco vai quilômetros além do country/folk. Em "Modern Man", a faixa de abertura, já dá pra começar a entender porque: caixa e chimbal acelerados, baixo com vida própria e vocais que vão da sutileza à potência em menos de 5 segundos. A sequência com "Harpeth River" tem andamento cadenciado de bateria e é carregada de uma dramaticidade que pode agradar em cheio os fãs do trip-hop de bandas como Portishead e Sneaker Pimps. O clima de bar escuro e enfumaçado continua com a encantadora sutileza jazzística de "Forever Me" e o blues "Midnight", com seus dois arrepiantes minutos de solo de órgão Hammond B3 (que aparece memoravelmente também em "Devil In You"). Elas ainda cantam como um girl group sessentista no pop docinho de "Tell Me Why" ou como se fossem uma versão feminina de Roy Orbison em "U-N-Me". Para produzir "Talking To You, Talking To Me", as gêmeas juntaram-se a Russell Pollard e Soda J. da banda californiana Everest e depois de se isolar em uma cabana em Sierra Nevada por quatro dias em Junho de 2009, finalizaram as demos que viriam a ser gravadas na Fairfax Recordings de Los Angeles, na mesma mesa de mixagem de "The Wall" do Pink Floyd. As referências são boas, a música é ótima, então estamos diante de uma das promessas do ano, ou o quê?

Ouça "Modern Man" aqui no player:

Tuesday, September 22, 2009

Acústicos & Sofisticados

O que atrai tanto na música da dupla norueguesa Kings Of Convenience? O pop/folk que Erlend Øye e Eirik Bøe disponibilizam pela terceira vez em forma de disco (depois de uma pausa de cinco anos) em “Declaration Of Dependence”, não oferece nada do que já não tenha se escutado em seus dois álbuns anteriores: o mesmo par de violões em todas as músicas, os vocais tímidos, os arranjos delicados. Não há um hit facilmente detectável (como foi o single “Misread”, de 2004), embora o violino e o refrão pop de “Boat Behind” possam fazer com que essa faixa esteja presente no playlist das FMs do segmento adulto-contemporâneo a partir de 02 de Outubro (data prevista para o lançamento oficial do disco). Então, o que faz com que o culto ao trabalho dos noruegueses cresça tanto mundo afora? Dá pra tentar explicar como “a simplicidade venenosa dos arranjos, as pausas de respiração facilmente audíveis, o som dos dedos arrastando nas cordas, as harmonias perfeitas das vozes”. Ou ainda a trama de cordas de “Me In You”, os violinos irresistíveis de “Peacetime Resistance”, as vozes combinadas em “Mrs Cold”, o faro pop em “Boat Behind”. Tudo aqui é facilmente digerível mas não descartável; dá pra ouvir o disco por horas sem se dar conta que ele já repetiu dez vezes. Mas não há argumento melhor que a capa do disco: Erlend Øye e Eirik Bøe sentados na beira do mar, tirando um sonzinho no violão e observando a vida passar devagar num fim de tarde preguiçoso. Numa relax, numa boa.

Assista o vídeo de "Boat Behind" e entenda porque esses dois caras não parecem estar muito preocupados com a fatura do cartão de crédito: