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Sunday, June 24, 2012

Doze do Four


Acabou de sair single novo do Four Tet, projeto eletrônico-cabeçudo do britânico Kieran Hebden.

 

Jupiters / Ocoras veio nesse belo doze polegadas aí acima e demonstra que o Four Tet continua com sua tarefa de entortar a eletrônica pra fazer seu som soar o menos óbvio possível. "Jupiters" abre com dois minutos de cascatas de sintetizadores preparando o terreno para a percussão aquosa e bumbos de afinação grave que vem a seguir. Já "Ocoras" é mais simpática à pista de dança, com seus teclados narcóticos e inversamente proporcionais à excitação que o groove minimal causa nas pernas. Só não chama isso de IDM que eu saio da sala.

"Ocoras": Four Tet fugindo dos clichês.

Tuesday, March 13, 2012

Dupla Dinâmica



Comecei a desconfiar que aquela história de "dois gênios não cabem na mesma lâmpada" pode ser verdadeira depois de ouvir Ssss, o álbum que marca a volta da parceria entre Vince Clarke e Martin Gore com o projeto criativamente chamado de VCMG. Erasure e Depeche Mode tomaram caminhos bem distintos em suas respectivas trajetórias, mas era de se esperar que pouca coisa da sonoridade das duas bandas respingasse nesse trabalho. E assim foi. Ssss é um álbum techno, minimalista, frio e que se auto-explica em todo seu distanciamento a partir do momento em que se descobre que Clarke e Gore o compuseram trocando e-mails. 


Vince há tempos perdeu aquela vibe disco/cabaré que pontuava alguns de seus hits mais famosos ("Love To Hate You", "Drama", "Stop!") e a falta de comunicação com a pista faz diferença na hora de produzir música pra ela. Isso talvez explique o fato da dupla optar por um disco de minimal techno com um delay de pelo menos oito anos pós-estouro do gênero. Ssss é duro de cintura e despreza a melodia em favor de beats ininterruptos, faixas longas, efeitos e repetição. Honestamente, eu esperava que a colisão entre Martin e Vince trinta anos depois do afastamente musical de ambos rendesse algo mais mundano - onde alguns dos temas preferidos de Gore (luxúria, amor, relações, pecado) estivessem inseridos de alguma forma numa música capaz de instigar os quadris e a libido - tudo sustentado pelas mãos pacientes e pelo cérebro analógico de Clarke ("_ Não tenho muita habilidade para teclados... tenho que apertar uma tecla de cada vez", disse ele no começo dos 90). Acho que não foi bem isso que aconteceu, porque Ssss não é a minha idéia de música ideal para animar uma noite com sorrisos no rosto e diversão sem fim, mesmo que o disco coubesse no catálogo da Kompakt.

"Spock": fogo brando para as pistas.

Tuesday, September 20, 2011

Em Círculos


Axel Willner, o produtor sueco por trás do bigode e do pseudônimo The Field é minimalista até nas capas de seus álbuns: a arte de seu terceiro disco (Looping State Of Mind, sai oficialmente em Outubro pela alemã Kompakt), é igualzinha a de seus antecessores Yesterday And Today (2009) e From Here We Go Sublime (2007).


A despeito de sua escassa variedade temática na escolha das embalagens, Willner sabe apertar os botões certos no conteúdo. Com sete longas faixas, seu modus operandi - que o título já entrega de cara - consiste em construir um tema principal e repeti-lo ao infinito; adicionando elementos aos poucos e crescendo devagar com BPMs contidos até chegar num estado de quase transgressão física, como na faixa de abertura "Is This Power", por exemplo: levam quase cinco minutos para a nuvem de sintetizadores se dissipar e a música ganhar uma amostra de guitarra desolada que percorre dois minutos de calmaria, até um rufo de caixa recolocar tudo no caminho de novo. "It's Up There" segue na mesma direção com beats engrenados e teclados hipnóticos, enquanto "Burned Out" tira o pé do acelerador transformando-se numa faixa ambient emoldurada por sons de guitarra evervescentes e vozes etéreas. O álbum tem bumbos macios, linhas de baixo fluidas e a maioria dos registros aqui evocam uma espécie de paisagismo sonoro a partir de edificações lineares - exceto pelas duas últimas faixas, onde o ritmo é quebrado em favor de duas canções que abusam dos loops, mas abrem mão da batida 4x4. Looping State Of Mind pode até tocar em pistas muito específicas, mas nem sei se a tag dance music é capaz de ser um dos rótulos desse disco. Talvez "Arpeggiated Love" com seus quase 11 minutos de techno espacial seja a que mais se aproxime em intensidade de ter suas notas iluminadas por estroboscópicas, mas no geral a intenção é prender pela mente, não pelos pés. E o The Field consegue.

"Is This Power": life is a loop.