Showing posts with label UK garage. Show all posts
Showing posts with label UK garage. Show all posts

Tuesday, June 26, 2012

Dub Fraturado


Fosse julgar pela capa, eu diria se tratar de um disco de R&B fuleiro. Nada disso. O que a londrina Merrisa Campbell oferece em seu debut Playin Me é um coquetel sedutor de dubstep embebido em generosas doses de dub e UK garage. É uma quebradeira cool, relaxada e sexy, com vocais sobrepostos e ritmos trôpegos.


Produtora, cantora e DJ, Cooly G me impressionou bastante pelas programações de bateria no disco, especialmente "What Airtime" pela sequência insana de socadas do bumbo e "Is It Gone" pela profusão de efeitos. Mas isso é só a parte técnica, porque o que tem aqui de canções genericamente inclassificáveis como "He Said I Said" (onde um loop de guitarra cria uma expectativa que só intensifica o suspense sobre pra onde a faixa vai: reggae? soul?), trips sossegadas ("Landscapes"), ótimos vocais (em "Come Into My Room" é difícil resistir ao pedido), reggae futurista ("Sunshine") e até um cover de "Trouble" (Coldplay) tão deliciosa quanto a original. No meio já superpopuloso do dubstep, um disco surpreendente.

"Landscapes": fugindo da mesmice em que o gênero já se meteu.        


Thursday, January 12, 2012

Rótulos


Minhas tentativas de associar artistas com determinados tipos de som e inserí-los em alguma cena ou movimento ou algo parecido pra facilitar o agrupamento e classificação foram por água abaixo quando alguém cunhou o termo "post-whatever" para designar o som da dupla Travis Stewart e Praveen Sharma, o Sepalcure. Pós-dubstep, pós-techno, UK garage, house... nada mais disso serve. Agora é pós-qualquer coisa. E salve-se quem puder. O Sepalcure é um pouco de tudo isso, um Frankenstein moderno que não cabe mais em rótulos. Tem vocais loopados como vagas lembranças de divas flamejantes em vinis de house music, trazidas à tona via sampler ("Pencil Pimp"), frequências de grave dois palmos abaixos do seu peito e batidas tentando escapar da mesmice ("Eternally Yrs"). O mais irônico de seu epônimo álbum de estréia é que um som tão aparentemente inclassificável assim já soa datado assim que entra no ouvido. Causa provável? A ressaca déja vù que esse coquetel traz embutido na fórmula.  

"Pencil Pimp": classifique você.