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Thursday, June 28, 2012

Bieber, The Pelvis

Businessman.
Os pêlos pubianos das fãs de Justin Bieber começam a crescer e o inevitável processo de adultização de seu pop enfadonho começa a acontecer. Pra isso, ele pilha sem dó o dubstep no seu mais recente single, "As Long As You Love Me". Ainda não sei dizer se gosto (ou se não quero gostar), mas tenho que admitir que é bem feito. OK, isso não é argumento aceitável. A propaganda nazista do Goebbels também era bem feita, e no entanto... Bom, quem sabe ali na frente o Bieber não vira um Justin mais sagaz, tipo o Timberlake?

"As Long As You Love Me": Bieber ligado no pop moderninho.



Tuesday, June 26, 2012

Um Olho Na Gata, Outro No Peixe



Benga visualizando o Top 10 com seu novo single, Icon. É o primeiro antes do lançamento de seu próximo álbum (Chapter 2), marcado pra Agosto. Vocais popíssimos pela novata Bebe Black. Se até Justin Bieber anda enveredando pelo dubstep, porque Benga - um dos pioneiros da cena - não pode tirar uma casquinha das paradas?
 
 
"Icon": Rihanna cantaria essa.
  

Dub Fraturado


Fosse julgar pela capa, eu diria se tratar de um disco de R&B fuleiro. Nada disso. O que a londrina Merrisa Campbell oferece em seu debut Playin Me é um coquetel sedutor de dubstep embebido em generosas doses de dub e UK garage. É uma quebradeira cool, relaxada e sexy, com vocais sobrepostos e ritmos trôpegos.


Produtora, cantora e DJ, Cooly G me impressionou bastante pelas programações de bateria no disco, especialmente "What Airtime" pela sequência insana de socadas do bumbo e "Is It Gone" pela profusão de efeitos. Mas isso é só a parte técnica, porque o que tem aqui de canções genericamente inclassificáveis como "He Said I Said" (onde um loop de guitarra cria uma expectativa que só intensifica o suspense sobre pra onde a faixa vai: reggae? soul?), trips sossegadas ("Landscapes"), ótimos vocais (em "Come Into My Room" é difícil resistir ao pedido), reggae futurista ("Sunshine") e até um cover de "Trouble" (Coldplay) tão deliciosa quanto a original. No meio já superpopuloso do dubstep, um disco surpreendente.

"Landscapes": fugindo da mesmice em que o gênero já se meteu.        


Tuesday, June 5, 2012

Dubpop


Duas boas notícias: o duo sueco Modual acabou de lançar seu terceiro EP, e ele está disponível para audição e download gratuitamente no Soundcloud.

Em Choose Your Confusion, Mikael Sjöberg e Olle Thulin suavizam ainda mais seu drum'n'step elegante com basslines mais macios e vocais pop que combinados à placidez dos sintetizadores casam direitinho com a batida cadenciada do dubstep em "Fade Away" e com o emaranhado percussivo drum'n'bass de "As We're Falling". A diferença é que agora o Modual arrisca com andamentos mais pop ("Dying Breed" e "No Way Out"), e quando acerta em cheio o resultado é uma faixa como "Had You", equilibrada entre um riff liquefeito de sintetizador e os vocais dilacerados de Sjöberg. Eletrônica invernal, mas não soporífera.

"Had You": dubstep fofinho.
    
Had You by modual

Friday, April 27, 2012

Música da Semana: Benga


Quando eu conheci as primeiras faixas de drum'n'bass - lá por 93/94 - ele ainda se chamava jungle, e eu ficava me perguntando "_ Como é que se dança isso?", acostumado que estava com a linearidade 4x4 da house music. A desconstrução rítmica das baterias fazia com que eu ficasse procurando algum ponto de marcação que induzisse a um movimento contínuo, mas era impossível. Os rufos de caixa e os bumbos sem uma sequência identificável eram algo que meu cérebro não conseguia decodificar pra mandar a mensagem pras minhas pernas. As coisas ficaram mais fáceis algum tempo depois quando o drum'n'bass se subdividiu em outros gêneros (jazzy, liquid funk) e o beat um tanto mais reto aliado às frequências baixíssimas de grave eram garantia de pés se mexendo na pista.


Hoje o dubstep é a bola da vez. Cresceu assustadoramente nos últimos anos saindo dos guetos londrinos pra se instalar nas raves ianques pelas mãos de Skrillex ("acusado" de diluir o estilo), teve o britânico Rusko produzindo figuras como Britney Spears, Rihanna e T.I. e já rolou até Grammy para o próprio Skrillex. A pergunta é: o dubstep vai procurar se adequar às audiências pra atingir um público maior, como fez recentemente o trio Magnetic Man (que tem Benga como um dos integrantes), injetando vocais, refrãos e um formato um pouco mais pop ao gênero? Ainda não tenho a resposta, mas enquanto isso Adegbenga Adejumo segue fazendo ótima música. "I Will Never Change" é o single mais recente de Benga e talvez o título seja um recado à pessoas que tem essa pulga atrás da orelha, como eu. Tem aquele beat musculoso recortado por synths que parecem fatiar a melodia em centenas de pedaços. Qual a relação com o drum'n'bass do texto acima? Eu também fiquei em dúvida sobre a dançabilidade do dubstep um tempo atrás, mas esse é um som que não funciona nessas caixinhas mixurucas de computador. Se você tiver algo que reproduza metade da intensidade dessas batidas e desses baixos, dançar torna-se compulsivo. Quanto à "I Will Never Change", viciei de cara.

"I Will Never Change": nem precisa, Benga. 



PS.: conheci a música no blog do Camilo Rocha, o Bate Estaca. Vale uma passada lá.

Thursday, April 26, 2012

Na Pista: Slugabed


A julgar pela foto, o nome de guerra é justo. Slugabed é o inglês Greg Feldwick, 22 anos. Tem um single fresquinho na praça (Sex) e a moral desse 12" ter saído pela Ninja Tune, conceituada gravadora independente londrina de propriedade de uns tais Matt Black e Jonathon More, também conhecidos como Coldcut.
                                                                                                                                                               

"Sex" é um electro instrumental com jeitão de Mantronix albino, com uns 25% da ginga da dupla americana. De bônus, um dubstep sem graça ("Molecules") e dois remixes: um em slow motion por Daedelus e outro freestyle comportado ("Groundislava Remix").

"Sex", o vídeo: uma idéia na cabeça e um orçamento modesto na mão.


Thursday, January 12, 2012

Sadness Step

Zomby - assim como SBTRKT - também curte uma máscara.
 Tendência: gravadoras de respeito colando no dubstep. Skrillex na Atlantic, Rustie na Warp... e Zomby na 4AD. E sabe que faz todo sentido esse produtor inglês estar associado à 4AD? O selo que ganhou fama por abrigar no seu cast nomes gótico-etéreos tipo Bauhaus e Cocteau Twins mas que só viu seus cofres transbordarem mesmo quando o projeto M|A|R|R|S estourou a muralha de samples "Pump Up The Volume" e começou a avalanche britânica da acid house em 1987, tem tudo a ver com o som de Zomby.


Seu álbum Dedication traz exatos 35 minutos divididos em 16 experimentos de eletrônica sombria, recortados por pianos sinistros ("Basquiat"), cordas amedrontadoras ("Haunted"), vocais assexuados numa vibe Burial ("Natalia's Song") e títulos tão curtos quanto a duração das faixas ("Lucifer", "Salamander" e "Vanquish" nem chegam à um minuto). Por vezes os timbres dos sintetizadores passam raspando em algo que lembra música de video game, mas eles estão estranhamente bem inseridos em canções como "Black Orchid" e "Digital Rain". No geral, são muitas idéias espalhadas em pouco tempo, então vale deixar o disco no repeat pra conseguir digerir tudo.

"Natalia's Song": o dubstep se afasta dos quadris.



   

Rótulos


Minhas tentativas de associar artistas com determinados tipos de som e inserí-los em alguma cena ou movimento ou algo parecido pra facilitar o agrupamento e classificação foram por água abaixo quando alguém cunhou o termo "post-whatever" para designar o som da dupla Travis Stewart e Praveen Sharma, o Sepalcure. Pós-dubstep, pós-techno, UK garage, house... nada mais disso serve. Agora é pós-qualquer coisa. E salve-se quem puder. O Sepalcure é um pouco de tudo isso, um Frankenstein moderno que não cabe mais em rótulos. Tem vocais loopados como vagas lembranças de divas flamejantes em vinis de house music, trazidas à tona via sampler ("Pencil Pimp"), frequências de grave dois palmos abaixos do seu peito e batidas tentando escapar da mesmice ("Eternally Yrs"). O mais irônico de seu epônimo álbum de estréia é que um som tão aparentemente inclassificável assim já soa datado assim que entra no ouvido. Causa provável? A ressaca déja vù que esse coquetel traz embutido na fórmula.  

"Pencil Pimp": classifique você.



Saturday, December 24, 2011

Electroplasma

Martyn com a mão na massa.
O holandês Martijn Deykers começou a discotecar em 1996 tocando drum'n'bass. Com o tempo passou a ser conhecido como Martyn e em 2005 já estava lançando singles misturando jungle, techno e dubstep. Em 2011, cometeu um dos top dance albums do ano. Seu Ghost People merece ser ouvido não só pelos frequentadores de clubes, mas também pelos amantes de eletrônica em geral - porque é variado e cheio de boas idéias o bastante para isso.


O álbum começa com as boas-vindas dadas pelo simpático robozinho de "Love And Machines" e já cai no sample extraído de "Headhunter" do Front 242 em "Viper", bom aquecimento para o baixo subterrâneo de "Masks" que vem a seguir. "Distortions" e "Popgun" são duas amostras da diversidade encontrável no disco, com tons deep house na primeira e dubstep na segunda, ambas com ênfase na percussão. A faixa-título e "Twice As" são irmãs gêmeas tech-house, com samples aleatórios de vocais e timbres de sintetizadores parecidos nos riffs. Ainda sobra espaço para Martyn testar os limites de elasticidade dos alto-falantes com as baixas frequências do interlúdio "I Saw You At Tule Lake", experimentar sabores diferentes dos synths nos arpejos de "Bauplan" e apontar as baterias para todas as direções em "Horror Vacui". "We Are You In The Future" encerra brilhantemente o álbum, com quase nove minutos da fusão techno/drum'n'bass sustentada por batidas criativas e teclados atmosféricos. Não deixe de ouvir.

"Viper": aprenda a dançar sem caixa e sem bumbo.

Thursday, December 22, 2011

Cereal Killer

Sonny John Moore, o Skrillex.
Não sei quem criou, mas o apelido Sucrilhex é maldosamente bem bolado. Junta o matinal Sucrilhos Kellogg's com a alcunha do produtor de Los Angeles e entrega a pouca idade (23 anos) deste que é provavelmente o artista mais odiado do dubstep. Mesmo que ele rejeite o rótulo dubstep. 2011 foi bem corrido pra ele. Fez muitos shows, lançou disco, foi um dos nomes a produzir o álbum mais recente do Korn e ainda foi indicado pela BBC como um dos artistas a se prestar atenção no ano que vem, na já famosa BBC Sound Of - edição 2012.


Skrillex lançou esse EP aí no meio do ano, More Monsters and Sprites. A faixa de abertura, "First Of The Year (Equinox)" me deixou confuso. O som potente de bateria chama atenção, a música começa como um reggae de vocais filtrados e picotados. Antes de chegar à um minuto, entra um pianinho doce, calmaria... e o que vem a seguir é Skrillex despejando uma Itaipú de efeitos, distorções e repetições. Sinceramente, gostei da faixa. Skrillex faz umas bruxarias interessantes com o seu aparato de softwares. O EP tem ainda as cordas bacanas de "Ruffneck" (em duas versões) e quatro remixes para "Scary Monsters And Nice Sprites". Se ele é poser, nerd, geek ou qualquer outro desses termos pejorativos, realmente não me interessa. Mas que é um nome pra ficar de olho, é.

"First Of The Year (Equinox)": manifesto contra a pedofilia?



Tuesday, December 20, 2011

Post-Dubstep? Já?


 Sinal dos tempos: moleque escocês fica brincando de criar uns sons no laptop, pesca meia dúzia de referências, adota algo que está pegando forte atualmente (inquestionavelmente, o dubstep), lança esse material num debut em disco (Glass Swords) que o incensado Pitchfork joga lá pra estratosfera e pronto: é a bola da vez. Agora, você que manja muito mais de música pop do que eu, me diz: em que uma faixa do Rustie como "All Nite" - cheia de rufos de bateria, vocais robótico/assexuados e distorções - difere de um trabalho tido como farofento e acéfalo como o do Skrillex? Incrível mesmo é que já estão chamando isso de pós-dubstep. E pra piorar as coisas, Glass Swords saiu pela Warp Records - uma gravadora que deve estar fazendo alguma coisa certa pra estar no mercado desde 1989. O que mostra o quanto eu devo estar errado na minha avaliação sobre o trabalho do Rustie. Azar o meu então, não achei nada de especial nesse disco.
 

"Hover Traps": slaps de contra-baixo mais falsos que nota de 25 reais.

Tuesday, November 22, 2011

Paisagismo Sonoro



Um dos pioneiros da ambient house e o principal mentor de discos essenciais de eletrônica como The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld (1991), Alex Paterson mantem-se ativo com o seu The Orb e o projeto C Batter C, lançado em Novembro.  


Trata-se de um pacote que inclui um DVD com um curta-metragem de 17 minutos chamado Battersea Bunches que narra a história de três crianças que fizeram uma viagem entre Battersea e Greenwich em 1956, na Inglaterra. A jornada foi capturada em Super-8 pela tia das crianças e Paterson (junto com o artista visual Mike Coles) fundiu essas imagens com cenas atuais para criar um apanhado de cenas de forte apelo emocional (e por vezes, surreal). C Batter C traz ainda um livro de 60 páginas com fotos e poemas e um CD com a trilha sonora original, mais sete remixes de artistas desconhecidos (pelo menos pra mim) como Gaudi, HFB e David Harrow. Curiosamente, a faixa mais fraca do disco é a bem humorada "Batter C Bunny's Munching Orbular Marrow Mix" do suíço Thomas Fehlmann, parceiro de Paterson nas produções recentes do Orb. O CD tem coisas bem mais interessantes, como a trôpega "To Battersea With Bunches (HFB Remix)", o dubstep "Brixton Hundreds (David Harrow Remix)" e o deep-techno "Latchmere Allotments (Nocturnal Sunshine Remix)". Não é só pelo fato de eu ser fã de carteirinha do Dr. Alex Paterson, mas vale a pena conhecer C Batter C. Primeiro porque é sempre válido se embrenhar em qualquer floresta cibernética cultivada pelo The Orb e segundo porque Paterson deu uma espiada no passado pra projetar o presente nesse projeto - e decodificou essas imagens em forma de música que ainda desafia rótulos, o que é sempre sinal de relevância.

"Brixton Hundreds (David Harrow Remix)": The Orb embarca no dubstep?

Thursday, November 3, 2011

Tangoless


Os órfãos do Gotan Project periga se interessarem pelo Submotion Orchestra. Não que o Gotan - este projeto parido por um argentino, um francês e um suíço - tenha acabado, não é isso... mas você sabe, aquele tango eletrônico renovador e impressionante do trio funcionou 100% no debut La Revancha Del Tango de 2001, 50% no segundo álbum de fato (Lunático, de 2006) e dali pra frente a fórmula ficou presa no próprio tubo de ensaio.  


Buenas, o que os ingleses do Submotion tem a ver com o Gotan? Essencialmente electronica, jazz, dub e uma lona escura feita de trip-hop cobrindo tudo. O diferencial é que o grupo de seis músicos de Leeds passa longe dos ritmos portenhos e tem à sua frente uma vocalista fantástica chamada Ruby Wood. É ela com sua voz de Sade albina quem acalma as linhas de baixo que fazem os alto-falantes tremerem em certos trechos de Finest Hour, álbum lançado em Agosto deste ano. Atual mas não aproveitador, o Submotion encaixa-se confortável no dubstep vigente ("Back Chat") e no drum'n'bass jazzy ("Always"), ao mesmo tempo em que aproveita os músicos que tem pra criar um instrumental emocionante e detalhista como o da faixa título. Pontuado por um trompete onipresente que atravessa quase todas as dez faixas e favorecido pelos vocais de Ruby Wood, o Submotion Orchestra fez um disco de estréia apurado e minucioso, mas com um resultado final cool e extremamente prazeroso de ouvir.

"Suffer Not": tudo no capricho.




Saturday, October 29, 2011

Sheik Your Body


Abraham Orellana é um nome pra se prestar atenção. Mergulhado no mundo dos beats desde 2006, o jovem produtor americano estreou em Junho desse ano com seu Electronic Dream - um título de gosto suspeito, mas com conteúdo pra desfazer qualquer sobrancelha levantada em sinal de desconfiança.


O seu exército de batidas de um homem só atende pelo nome de AraabMUSIK e o instrumento de trabalho está nas fotos acima: o Akai MPC, misto de sampler com bateria eletrônica programável. Com ele, Orellana cria linhas de chimbau que passam na velocidade da luz por cima de bumbos e caixas de ritmos irregulares que lembram um dubstep sem subgrave. O que é curioso na música do AraabMUSIK é a influência do trance, no bom e no mau sentido. Quando erra, Orellana se sai com umas coisas dignas de figurar na trilha do Caldeirão do Huck - como em "Lift Off" e seu riff de sintetizador que é algo rave-nas-areias-de-Camboriú, e que ainda sampleia a farofíssima "Castles In The Sky" de Ian van Dahl. Outros momentos desagradáveis do disco estão no timbre irritante do teclado de "Free Spirit" (também, com esse nome não poderia ser coisa boa) e na definitivamente descontrolada "Underground Stream". Fora esses deslizes, as faixas surpreendem especialmente porque os vocais em todo o álbum são um sonho, eles levitam sobre as batidas como se estivessem reverberando dentro de uma catedral. "Feelin So Hood" (com sample de "So High" do Starchaser) e "Golden Touch" (inspirada no hino "Right In The Night" de Jam & Spoon) são exemplos recomendáveis para entender que a fusão trance/hip-hop não dá besteira nas mãos do AraabMUSIK. Orellana aponta suas baterias pro hip-hop, mas produziu um álbum quase ambient que causa uma sensação de pasmaceira e fascinação diante de vozes delicadas duelando com beats chapados, teclados esparços e samples improváveis de artistas dance mainstream como Jam & Spoon, Kaskade e OceanLab. Será que já inventaram o rótulo trance-hop?
  
"Feelin So Hood": levando o hip-hop para outro plano.

Saturday, September 10, 2011

Música do Mês: "Wildfire", por SBTRKT


Além do nome ser uma sopa de letrinhas consoantes (SBTRKT = Subtract) e de não se deixar fotografar sem uma de suas máscaras esquisitas, o londrino Aaron Jerome também produz ótima música - como essa faixa presente em seu debut epônimo. Aqui os vocais são da japoneca (mistura de japonesa com sueca) Yukimi Nagano, vocalista do Little Dragon. E ela se sai melhor do que qualquer coisa que tenha gravado até hoje com sua banda. Talvez tenha faltado pro Little Dragon em seu Ritual Union (lançado esse ano) alguém como SBTRKT pra direcionar melhor esse talento que ela comprovadamente demonstra nessa faixa: seus "Hey, yeaaaah" são tão reais que... arff. Com o perdão do comentário tipo Jece Valadão, mas ela está uma delícia nesse vídeo. E a música, claro, é sensacional. Dubstep onde o baixo vira do avesso e as batidas ficam no meio do caminho entre a contemplação e a vontade de dançar.

"Wildfire": me chama que eu exorciso.



Sunday, August 28, 2011

O Frio Coração das Máquinas


Se o Nero fosse uma banda de rock, eles seriam o Asia. Assim como o supergrupo de Steve Howe, tudo o que a dupla inglesa Daniel Stephens e Joe Ray faz é super produzido, pirotécnico, explosivo - e farofa. Se trabalhos como esse fazem parte da tentativa inglesa de popularizar o dubstep, tenho a felicidade de dizer que essa revolução não vai ultrapassar a janela das casas britânicas - porque lá (e só lá) o público caiu como um patinho: o debut Welcome Reality foi direto pro topo do paradão inglês.


Soando como uma trilha sonora de algum game frenético atual, o único resquício de humanidade em Welcome Reality são os vocais de Alana Watson, porque a impressão que eu tenho é que esse disco saiu de uma linha de montagem chinesa direto pros consoles do Playstation - como que começando a comprovar a tese defendida por caras como o André Forastieri, que diz que os games vão substituir a música pop no nível de interesse da molecada dentro de pouco tempo (se é que já não substituiu) - tal o grau de rigor geométrico das linhas melódicas eletrônicas; tudo se encaixa como um Tetris musical onde nada pode estar fora do lugar e acaba resultando num álbum de uma frieza emocional batendo no vermelho. E quando você descobre que a única música que te chamou atenção ("Must Be The Feeling") não passa de um remix de um semi-obscuro electro-funk de 1984 chamado "Time To Move" da cantora Carmen, é porque o Nero não merece estar nas suas caixas de som.

"Promises": Nero inaugura mais uma categoria, o dubstep farofa.





Thursday, March 3, 2011

Em Fase de Transição


Rupert Parkes deu uma apavorada em 1997 com seu álbum Modus Operandi: drum'n'bass de texturas sombrias, baixos absurdos e batidas abstratas - uma espécie de jazz futurista, desconstruído e quebradaço. Três álbuns sem acontecer muita coisa depois, ele volta como Photek, o mais conhecido de seus projetos/pseudônimos num EP chamado Avalanche, lançado agora no final de Fevereiro. Mas esqueça o jungle marcial de suas primeiras gravações; aqui Parkes mergulha no dubstep e no deep house que provavelmente não vão fazer com que alguém lembre que isso é aquele Photek da década passada.

Versão de "Avalanche" ripada de rádio: Photek abraça o dubstep.




Saturday, October 9, 2010

A Um Passo do Pop


Magnetic Man - o tal projeto dos DJs Skream, Benga e Artwork - tenta uma aproximação do dubstep com o pop no seu álbum de estréia a ser lançado em 11 de Outubro. A crítica inglesa se rasgou de elogios pro primeiro single do disco, "I Need Air", mesmo com os vocais de Angela Hunte adulterados pelo irritante auto-tune. A faixa lançada em Julho bateu num honroso 10º lugar no paradão inglês, o que mostra que o dubstep é bem popular na ilha mesmo. O figurão John Legend está entre os vocalistas convidados (na interessante "Getting Nowhere"). E se a coisa belisca um certo padrão FM em "Perfect Stranger", é em "Boiling Water" e seu refrão facinho que isso fica muito mais próximo de acontecer - mesmo que essa música cheire mais à drum'n'bass do que dubstep.

"I Need Air":



Tuesday, October 5, 2010

Eletrônica Fragmentada


O dubstep é uma das mais recentes mutações eletrônicas e já tem várias subdivisões. Uma delas, o soulful dubstep, é a mais soturna, melancólica, profunda e climática. Talvez o jovem Burial seja o maior representante do gênero, mas o inglês Dan Richmond - que lança seus discos como Clubroot - vem ganhando força através de elogiadas produções. II - MMX, seu segundo álbum (lançado em Maio) é um mergulho de cabeça nas profundezas escuras do soulful dubstep. Ao longo de suas onze faixas distribui batidas hipnóticas, timbres pesados de sintetizador, vozes angelicais e faz das linhas de subgrave um desafio às caixas de som. Excepcionalmente bonito e desafiador, II - MMX não tem nenhuma relação com a pista de dança nem flerta com o pop como alguns artistas de dubstep já começam a fazer. O clima de suspense e a alta dose de emoção contidas no disco obrigam uma audição atenta. Recomendo muito.

"Waterways":



Sunday, September 5, 2010

Drum'n'Pop


Conheci o som dessa dupla sueca lá no INMWT do Denis Pedroso. A capa acima é o EP de estréia dos caras, Modual Promo EP, por enquanto disponível para venda somente no formato digital no Soundcloud. Depois que algumas audições minhas foram registradas pelo LastFM, Mike - metade do Modual - me enviou um e-mail dizendo que havia percebido que eu havia gostado do som, e resolveu escrever para explicar um pouco sobre a música desse duo de Estocolmo. Segundo ele, o Modual "mistura dubstep com drum'n'bass somado à vocais pop e arranjos de cordas, para criar sua própria versão de música de pista". A descrição de Mike cabe nas três faixas do EP: "Waltz" tem batida forte cadenciando o ritmo drum'n'bass e um sax jazzy bem relaxado atravessando toda música. "Deeper Than This" é a parcela dubstep do EP, com subgraves forrando o arranjo. "Shadows Play" foi a que me viciou de cara. Originalmente seria chamada de drum'n'bass, mas os pianos, as cordas e os vocais macios pedem outro nome. "Chill'n'Bass"? "Drum'n'Ambient"? Ouça as faixas no MySpace da banda e defina você onde a música do Modual se encaixa melhor.