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Sunday, July 1, 2012

Marrom Desbotado

Mensagem subliminar? Adam Levine é o único descalço.
 Grupos pop de sucesso viram alvos fáceis muito rapidamente. Ninguém aguenta esse povo no topo por muito tempo. Há exatos dez anos, o Maroon 5 apareceu com o funk albino de "This Love" e de lá pra cá não parou de empilhar hits. Tá na cara que os californianos são uma banda de singles e são só deles que você lembra, não dos álbuns.    


Parecendo querer dar uma cutucada nessa história, os marrons chamaram seu disco mais recente de Overexposed. É como - provavelmente - eles tem se sentido desde seu debut, que já foi sucesso de cara. Não acho que isso deva estar torturando esses caras tanto assim a ponto de colocar essa angústia nas letras ou os fazendo passar pelo dilema do pop star atormentado com o sucesso, mas que a pressão deve estar influenciando na música, eu não tenho dúvida. Porque qualquer coisa que venda metade das absurdas 10 milhões de cópias que o single Moves Like Jagger (do ano passado) vendeu, é potencialmente um fracasso. A fraca "Payphone" (com participação do mano Wiz Khalifa), primeiro single, foi número 2 na parada americana, e foi pro topo na Inglaterra. Bom. Já a reggatta de blanc "One More Night" não passou da incômoda quadragésima segunda posição na América. Sinal amarelo. E era isso. O restante de Overexposed varia entre tentativas de aproveitar uma sobrinha de "Moves Like Jagger" (com sua prima "Lucky Strike"), o falsete cansativo de Adam Levine e um cover particularmente horrendo: o Maroon 5 transforma o clássico "Kiss" (Prince) no blues mais canalha da história. Pra mim não faz a menor diferença se o Maroon 5 veste Versace ou come metade do cast da Victoria's Secret, desde que seus singles mantenham um jeito "Makes Me Wonder" de ser. Mas das faixas desse Overexposed, nem cheiro. Férias, pessoal.

A boa "One More Night": Rocky Levine.

Thursday, June 28, 2012

Bieber, The Pelvis

Businessman.
Os pêlos pubianos das fãs de Justin Bieber começam a crescer e o inevitável processo de adultização de seu pop enfadonho começa a acontecer. Pra isso, ele pilha sem dó o dubstep no seu mais recente single, "As Long As You Love Me". Ainda não sei dizer se gosto (ou se não quero gostar), mas tenho que admitir que é bem feito. OK, isso não é argumento aceitável. A propaganda nazista do Goebbels também era bem feita, e no entanto... Bom, quem sabe ali na frente o Bieber não vira um Justin mais sagaz, tipo o Timberlake?

"As Long As You Love Me": Bieber ligado no pop moderninho.



Tuesday, May 22, 2012

Clássico é Clássico e Vice-Versa: Londonbeat

Poses ingênuas: é o Londonbeat pensando em você, baby.

Mezzo inglês mezzo americano, o quarteto Londonbeat parecia estar em todos os lugares em 1991. "I've Been Thinking About You" é uma espécie de Fine Young Cannibals houseificado e foi um hit devastador: chegou ao topo de mercados complicados como a Alemanha e Estados Unidos e a número dois na Inglaterra. Produzido por Martyn Phillips (The Beloved, Erasure), "I've Been Thinking About You" tem vocais soul num falsete afinadíssimo, piano sintético saltitante, guitarrinhas country & western e uma programação de bateria primorosa (repare na tenacidade de tapeceiro persa de Phillips ao encaixar os beats aos três minutos e meio da canção). São ingredientes que garantiram fácil o crossover rádios/pistas naquele inesquecível 1991, um ano especialmente foda para a dance music/eletrônica. Aqui no Brasil a febre durou mais uma temporada, quando a faixa foi incluída na trilha da novela O Dono do Mundo (exibida entre Maio de 1991 e Janeiro de 1992).

Computação gráfica paleontológica e muita cara de pau no vídeo do Londonbeat: 

Thursday, April 26, 2012

Universo Em Desencanto


Ouvir Kill For Love - álbum mais recente dos americanos do Chromatics - é imaginar como seria se o New Order tivesse escolhido a tecladista Gillian Gilbert como vocalista ao invés de Barney Sumner. Talvez Movement, debut da banda inglesa lançado em Novembro de 1981 soasse assim. Apesar da voz pequenininha, Ruth Radelet encaixa-se confortavelmente aos sintetizadores congelados e de timbres fascinantes (o que é aquele teclado de "Lady"?). Pós-punk elegante, quase dançável sob suas baterias nada complexas ("The Page") e com riffs de guitarra básicos e certeiros ("Back From The Grave"), Kill For Love é um disco estranhamente encantador, dolorosamente bonito - uma ponte bem cimentada entre o indie e o eletrônico analógico com canções bem feitas e um cover escolhido à dedo: "Hey Hey, My My" de Neil Young abre o disco creditada apenas como "Into the Black". Climático e melancólico, dos títulos das faixas ("Dust to Dust", "No Escape", "Back From The Grave") até as composições instrumentais nubladas ("There's a Light Out On the Horizon", "Broken Mirrors"), Kill For Love exige uma hora e meia de dedicação à sua viagem sombria e de nada fácil digestão, mas extremamente recompensadora. Bom dia, tristeza.

"The Page": black is beautiful.