Showing posts with label hip-hop. Show all posts
Showing posts with label hip-hop. Show all posts

Saturday, June 9, 2012

Música da Semana: Childish Gambino


Donald Glover, 28 anos. Ator, escritor, comediante e músico. Pro seu álbum de estréia (Camp, lançado em Novembro do ano passado), Glover assumiu o estranho pseudônimo Childish Gambino e fez quase tudo: compôs, programou baterias, produziu, arranjou as cordas e ainda sobrou um tempinho pra cantar. 



É em Camp que está a versão original do single "Heartbeat", um refrão contagioso e sintetizadores distorcidos tipo "Waters Of Nazareth" do Justice. Alguns remixes depois, chegou uma versão que me parece superior até à original. O remix do californiano Jason Stewart (Them Jeans) mantém o som do piano mas melhora o andamento da bateria e coloca um baixo de verdade numa faixa que estava pedindo mais carinho com as quatro cordas. Disponível na nova compilação do selo/casa de moda francês Kitsuné, Kitsuné America. 
"Heartbeat": Them Jeans e Kitsuné em sintonia.

Saturday, May 5, 2012

Yo, Japan



Desde que o DJ Shadow resolveu que tinha que fazer arte ao invés de música (e isso aconteceu logo após sua impressionante estréia Endtroducing, de 1996), o campinho do hip-hop instrumental ficou mais vazio. Os órfãos do californiano tiveram nesse meio tempo trabalhos interessantes de gente como DJ Krush, RJD2, e mais recentemente AraabMusik, mas o nível parece ter ficado quase inatingível depois do debut de Josh Davis. Paciência. Acho que nenhum desses artistas grava discos pensando em superar um álbum fundamental e altamente influente como Entroducing. Além do mais, só pelo fato de apontar direções opostas ao rap mainstream americano onde a temática não vai muito além da tríade grana, armas e vagabundas, já está de bom tamanho. 


É nessa onda que vai o DJ japonês Mitsu The Beats. Sem muito alarde, ele acaba de lançar Beat Installments, um álbum com dez faixas que exploram batidas hip-hop com enxertos de jazz, soul, house e até samba ("Masquerade"). Bom colecionador de vinis que é, Mitsu tem um gosto apurado na escolha das amostras que viram loops hipnóticos nas suas mãos: a primeira faixa ("Always Something") com seus metais repetidos à exaustão e salpicados com beats de rap é perfeita pra exemplificar isso. Beat Installments é um disco relaxado, cheio de sons aconchegantes e linhas de baixo fluídas, chill out de músico - mesmo que tenha sido construído com embasamento em samples. Boa pedida.

"Always Something": meu saquê, por favor.


Monday, October 31, 2011

Guina


O paulistano Pedro Paulo Soares Pereira (Mano Brown, o primeiro da esquerda para direita na foto acima) é o melhor letrista que já apareceu no rap nacional. Seu Racionais MC's também reina absoluto no cenário, desde o começo dos anos 90. O grupo está a anos-luz de qualquer tentativa de rima coletiva que tenha surgido no nosso hip-hop, além de trazer as bases instrumentais de extrema criatividade e bom gosto do DJ e produtor KL Jay. Enquanto em 2011 os rappers Emicida e Criolo levaram juntos cinco dos onze prêmios do VMB na MTV Brasil, os Racionais preparam álbum novo para 2012, com rumores de mudança na formação. Enquanto material novo não chega, vale dar um confere numa das tantas faixas essenciais do quarteto, "Tô Ouvindo Alguém Me Chamar". A música está em Sobrevivendo no Inferno - talvez o melhor disco da banda - de 1997. Aqui a narrativa angustiante de Mano Brown coloca o ouvinte entre tiroteios, sirenes, crime, castigo... e Guina. "O Guina não tinha dó / Se reagir, bum, vira pó" (sic). O clima de suspense criado por KL Jay é perfeito: a base sampleada de "Charisma" do trompetista Tom Browne (1981) é enriquecida com teclados sinistros enquanto bips de monitor cardíaco e batidas de coração fundem-se com a bateria. Arrepiante e genial.

"Tô Ouvindo Alguém Me Chamar": onze minutos de tensão.



"Charisma": Tom Browne brilhantemente sampleado por KL Jay.

Saturday, October 29, 2011

Sheik Your Body


Abraham Orellana é um nome pra se prestar atenção. Mergulhado no mundo dos beats desde 2006, o jovem produtor americano estreou em Junho desse ano com seu Electronic Dream - um título de gosto suspeito, mas com conteúdo pra desfazer qualquer sobrancelha levantada em sinal de desconfiança.


O seu exército de batidas de um homem só atende pelo nome de AraabMUSIK e o instrumento de trabalho está nas fotos acima: o Akai MPC, misto de sampler com bateria eletrônica programável. Com ele, Orellana cria linhas de chimbau que passam na velocidade da luz por cima de bumbos e caixas de ritmos irregulares que lembram um dubstep sem subgrave. O que é curioso na música do AraabMUSIK é a influência do trance, no bom e no mau sentido. Quando erra, Orellana se sai com umas coisas dignas de figurar na trilha do Caldeirão do Huck - como em "Lift Off" e seu riff de sintetizador que é algo rave-nas-areias-de-Camboriú, e que ainda sampleia a farofíssima "Castles In The Sky" de Ian van Dahl. Outros momentos desagradáveis do disco estão no timbre irritante do teclado de "Free Spirit" (também, com esse nome não poderia ser coisa boa) e na definitivamente descontrolada "Underground Stream". Fora esses deslizes, as faixas surpreendem especialmente porque os vocais em todo o álbum são um sonho, eles levitam sobre as batidas como se estivessem reverberando dentro de uma catedral. "Feelin So Hood" (com sample de "So High" do Starchaser) e "Golden Touch" (inspirada no hino "Right In The Night" de Jam & Spoon) são exemplos recomendáveis para entender que a fusão trance/hip-hop não dá besteira nas mãos do AraabMUSIK. Orellana aponta suas baterias pro hip-hop, mas produziu um álbum quase ambient que causa uma sensação de pasmaceira e fascinação diante de vozes delicadas duelando com beats chapados, teclados esparços e samples improváveis de artistas dance mainstream como Jam & Spoon, Kaskade e OceanLab. Será que já inventaram o rótulo trance-hop?
  
"Feelin So Hood": levando o hip-hop para outro plano.