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Sunday, November 13, 2011

Dark de Verdade


O figura com pinta de ator do cast do José Mojica Marins aí acima chama-se Spoek Mathambo. Aos 24 anos, o rapper e DJ nascido em Soweto faz parte da nova geração de artistas africanos entrincheirados na linha de frente da nova música eletrônica daquele continente. Também designer gráfico e ilustrador, Spoek lançou ano passado seu primeiro álbum, Mshini Wam.


Quarto single extraído do disco, "Control" é uma das músicas mais interessantes que escutei esse ano. Primeiro porque a idéia de transformar o clássico "She's Lost Control" do Joy Division numa faixa dance já soa desafiadora por si só e segundo porque o resultado final é surpreendente. Spoek subverteu o original numa house revestida de frequências baixíssimas de grave, ocasionais detalhes afro e vocais perversamente narrados dentro de um vocoder assustador, com alto teor de dançabilidade. O vídeo é outro caso à parte: idealizado pelos fotógrafos sul-africanos Pieter Hugo e Michael Cleary, o clip traz uma sequência perturbadora de cenas de rituais e possessões muito bem interpretadas pelo projeto Happy Feet, um grupo de dança que reúne a molecada local. Nem Wes Craven faria melhor. Eu, hein.

"Control": Ian Curtis dançaria essa?

Monday, October 31, 2011

Guina


O paulistano Pedro Paulo Soares Pereira (Mano Brown, o primeiro da esquerda para direita na foto acima) é o melhor letrista que já apareceu no rap nacional. Seu Racionais MC's também reina absoluto no cenário, desde o começo dos anos 90. O grupo está a anos-luz de qualquer tentativa de rima coletiva que tenha surgido no nosso hip-hop, além de trazer as bases instrumentais de extrema criatividade e bom gosto do DJ e produtor KL Jay. Enquanto em 2011 os rappers Emicida e Criolo levaram juntos cinco dos onze prêmios do VMB na MTV Brasil, os Racionais preparam álbum novo para 2012, com rumores de mudança na formação. Enquanto material novo não chega, vale dar um confere numa das tantas faixas essenciais do quarteto, "Tô Ouvindo Alguém Me Chamar". A música está em Sobrevivendo no Inferno - talvez o melhor disco da banda - de 1997. Aqui a narrativa angustiante de Mano Brown coloca o ouvinte entre tiroteios, sirenes, crime, castigo... e Guina. "O Guina não tinha dó / Se reagir, bum, vira pó" (sic). O clima de suspense criado por KL Jay é perfeito: a base sampleada de "Charisma" do trompetista Tom Browne (1981) é enriquecida com teclados sinistros enquanto bips de monitor cardíaco e batidas de coração fundem-se com a bateria. Arrepiante e genial.

"Tô Ouvindo Alguém Me Chamar": onze minutos de tensão.



"Charisma": Tom Browne brilhantemente sampleado por KL Jay.

Wednesday, December 15, 2010

Branco no Preto


Nascido nos Estados Unidos e criado nas Bermudas, Collie Buddz tem a manha. Rapeia com a voz e a ginga de um toaster jamaicano embalado por uma base rítmica vigorosa de baixos gordos e beats produzidos com uma só intenção: entortar sua coluna. Resenha completa no rraurl, acesse.

"Hustle", uma das pedradas de Collie Buddz: