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Thursday, October 13, 2011

Ladrões de Casaca


Qual é o habitat do Thievery Corporation em 2011? Coletâneas chill out? DJ sets? Apresentações em mini-festivais alternativos? Provavelmente, um pouco de cada. E pra reforçar o repertório, mais um álbum espetacular.


Culture Of Fear saiu no final de Junho e mantém o padrão estratosférico das produções da dupla americana Eric Hilton e Rob Garza. O mix de reggae, lounge music e acid jazz continua tão elegante neste sexto álbum da dupla quanto os ternos bem alinhados que eles vestem. A diversidade dos convidados que participam do disco reflete diretamente no som: são sete vocalistas e dez músicos explorando as possibilidades dos encontros musicais do primeiro com o terceiro mundo, capitaneados pela produção impecável de Hilton e Garza. Encaixar Culture Of Fear num rótulo é impossível - embora o álbum esteja mais ligado ao dub do que nunca: há uma profusão de ecos, efeitos, burburinhos à Lee Perry (ouça o trip-hop "Is It Over?") e baixos absurdos por todo o disco. De todas as vozes que aparecem nas treze faixas, a que mais me instigou foi a da californiana Lou Lou Ghelichkhani. Ela aparece doce e quase sussurrando entre paisagens desenhadas por pianos elétricos e percussão na onírica "Where It All Starts", cantando numa língua incompreensível conduzida pela escaleta de Jeff Franca na bossa espacial "Safar (The Journey)" e imersa no groove sexy e lento de "Take My Soul". Orgânico e visceral, eletrônico e sofisticado: seja qual for a sua praia, Culture Of Fear é um disco pra sonhar de olhos bem abertos.

"Is It Over?": uma trip a ser conferida no discaço do Thievery Corporation.



Sunday, September 25, 2011

Björpple


Já ouviu Biophilia, o novo projeto de Björk? Sim, porque aqui a coisa estrapola o limite do "disco", como nós conhecíamos até hoje. As faixas de "Biophilia" virão - além do formato físico em CD - na forma de aplicativos para iPad e inclusive foram, em parte, gravadas no tablet da empresa de Steve Jobs. A parceria com a Apple renderá jogos interativos e músicas remixáveis para quem se dispor a pagar por cada uma delas.


Já Biophilia, o disco... complicado, viu? Ela continua inquestionavelmente cantando tão bem - ou melhor - do que aquela Björk do Sugarcubes que fez de "Birthday" uma obra-prima (em "Crystalline"), há momentos de delicadeza e sensibilidade de fazer diminuir a pulsação do mais vândalo dos Hooligans ("Virus" é um bom exemplo) e há uns ataques de tambores de video-game bem nervosos ("Mutual Core"), mas no geral, temo não ter entendido o álbum. Ou porque tenho um bode tremendo de projetos como esse, que nascem com o carimbo de Grande Arte na capa; ou porque não tenho a sensibilidade necessária para compreender parte da obra solo de Björk; ou porque não tenho - nem pretendo ter - um iPad pra tornar essa experiência completa. Na dúvida, fico com os três motivos.

"Crystalline": Michel Gondry criativo como sempre.



Thursday, November 25, 2010

Dissolvendo Tricky


Esqueça o Príncipe das Trevas alçado à fama planetária logo em sua estréia (Maxinquaye, de 1995). Um dos álbuns essenciais dos 90, Maxinquaye ajudou a definir os rumos do trip-hop, logo após Adrian Nicholas Matthews Thaws - o Tricky - resolver abandonar o Massive Attack pra investir na carreira solo. Em Mixed Race, lançado em Setembro, o sobrinho de Finley Quaye atira pra todos os lados e acerta vários alvos: funk (a abertura "Kingston Logic", com vocais inspirados em "Technologic" do Daft Punk, por sua vez inspirada em "Video Games" de Ronnie Jones), jazz sombrio ("Early Bird"), música árabe ("Hakim"), blues ("Come To Me"), house (a surpreendente e ótima "Time To Dance"), e dubstep ("Bristol To London"). Ainda tem espaço pra um sample de "Peter Gunn" de Henry Mancini no primeiro single extraído do álbum ("Murder Weapon"). Tricky só visita o pantanoso terreno do trip-hop na pesada "Ghetto Stars" e em "Really Real" (com vocais de Bobby Gillespie do Primal Scream), e no final das contas, a diversidade proposta nas dez faixas e apenas meia hora de Mixed Race acaba salvando o disco do marasmo - mesmo que Tricky esteja longe daquele ser esquisitão e absolutamente original do primeiro álbum.

"Kingston Logic": pedindo uma mixagem com "Technologic" do Daft Punk.

Tuesday, September 28, 2010

O Inferno é Aqui


How To Destroy Angels é um projeto de Trent Reznor paralelo ao Nine Inch Nails e dividido com a (bela) companheira de cama e mesa Mariqueen Maandig, mais o produtor inglês Atticus Ross. O trio lançou no meio do ano um irregular e epônimo EP de seis faixas. Os melhores resultados são quando a banda sobrevoa o pantanoso terreno do trip-hop, com a cadência marcial e os vocais sussurrados de Mariqueen em "The Space In Between", e no ritmo lento e engrenado da sombria "A Drowning". O resto peca nos excessos de distorção e timbres mucho locos do chamado pós-industrial. 

Tensão pura no vídeo da ótima "The Space In Between":